No meu sofá faço mil coisas que ninguém faz, vejo coisas que ninguém vê mais, sinto mil coisas que ninguém sente.
Esse sofá que me tolera todo dia até altas horas é o meu companheiro de viagem. Vou para vários lugares, com várias pessoas, nesse sofá. A melhor coisa da viagem é que não pago nenhum centavo para chegar ao destino desejado, só preciso de três ferramentas para chegar ao destino, caneta, papel e imaginação, às vezes só com o computador e a Imaginação eu chego lá, mas com a caneta e papel é como se fizesse a viagem de ônibus, cada curva de cada letra escrita pela caneta, como se fossem as curvas das estradas, já com o computador é como viajar de avião, é mais rápido, com apenas um clique chego no destino, algumas vezes tem turbulência, quando a internet oscila, mas também me divirto nessas viagens.
Desse meu canto soberano de onde faço viagens loucas, já visitei o Taj Mahal, Torre Eiffel, Torre de Pisa, Coliseu, estátua da liberdade, visitei até Jesus com seus discípulos. Fui a lugares maravilhosos, fui a um lugar bem interessante, fui ao topo do Everest, quando fui lá nem tava tão frio , vi a neve, toquei nela, mas estava bem quente embaixo das minhas cobertas em meu sofá.
Senti cheiros interessantes, cheiros intrigantes, quando visitei o rei Davi, ele ainda não era rei, mas era um soldado guerreiro do Rei Saul, cheirava tão mal, o suor era tanto que quando pegou em minha mão, ela deslizou de tão suada.
Quando fui à casa de Absalão, ele tinha acabado de sair, não o vi, mas senti o cheiro que sua jumenta havia deixado no caminho.
Já senti, também, aqui nesse sofá, medo de não ser amado, mas também, senti Amor nesse sofá. Estou sempre fazendo, vendo ou sentindo todas essas coisas, na minha mente fértil que fertiliza o papel, sempre que olho para o sofá minha mente floresce.
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